Breve História da APIM

Na segunda metade do século XIX, a promoção do ensino em Macau era praticamente realizada pela Igreja. Apesar de ter havido algumas boas iniciativas de criação de instituições de educação, como o caso de James Matheson, que instituiu a Escola Principal de Instrução Pública, e de António Alexandrino de Melo, Visconde do Cercal, que fundou a Nova Escola Macaense, ambas tiveram curta vida por não terem conseguido atrair o interesse de mais ninguém.

O único estabelecimento de ensino que funcionava com regularidade e eficiência era o Seminário de S. José, onde se distinguia um brilhante corpo docente formado pelos padres da Companhia de Jesus, que eram maioritariamente estrangeiros.

Em 1870, no âmbito de uma reestruturação nacional do ensino religioso, de Lisboa veio uma ordem taxativa de expulsão de todos os professores estrangeiros das escolas de Macau.

Esta ordem caiu como uma bomba na cidade, pois a sua execução traria efeitos calamitosos no futuro da educação em Macau.

Não obstante os protestos da população e das petições dirigidas ao governo de Lisboa, nada conseguiu impedir que a lei de expulsão fosse aqui aplicada.

A preocupação de instituir um estabelecimento de ensino moldado para a área do comércio, que permitisse à maior parte da juventude se habilitar condignamente para poder aspirar a uma melhor colocação nos quadros do funcionalismo público ou das empresas de Hong Kong e Xangai, vinha já de longa data. No momento conturbado que se seguiu ao polémico decreto, aquela ideia ganhou forma.

Assim, em 17 de Setembro de 1871, um grupo de 19 mais preocupados e também mais ricos e influentes cidadãos de Macau reuniu-se em casa de Maximiano António dos Remédios e decidiu formalizar, por escritura pública, uma sociedade por quotas exclusivamente vocacionada para o desenvolvimento da educação, nascendo, deste modo, a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM).

Desde a criação da APIM até ser fundada a almejada escola comercial passaram-se várias vicissitudes. A colaboração abnegada do colectivo de sócios e dos professores voluntários, em particular, o esforço empenhado de Pedro Nolasco da Silva, fez com que a escola pudesse abrir as suas portas no dia 8 de Janeiro de 1878.

O seu esforço mereceu o reconhecimento da comunidade que decidiu por unanimidade consagrá-lo, dando à Escola Comercial o nome de Pedro Nolasco da Silva.

Durante os cerca de 120 anos da sua existência, a Escola Comercial esteve sempre sob inteira responsabilidade da APIM que, apesar de ter em períodos diferentes lutado com imensas dificuldades financeiras, sempre a colocou como um desígnio primado.

Com a criação da Escola Portuguesa, em 1998, a Escola Comercial deixou de existir. Porém, a responsabilidade da APIM não ficou por aí.

Conforme se vê do artigo 5o. dos Estatutos da Fundação da Escola Portuguesa, em anexo ao Decreto-Lei no. 89-B/98, de 9 de Abril, a APIM é um dos cinco membros da mesma Fundação, com a qualidade de 1o. Vice-Presidente.

(Extraida do livro "Duas Instituições Macaenses" da autoria de João Guedes e José Silveira Machado).

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